Tuesday, June 23, 2009

Produção escrita

A história da rapariga cega

 

 

      As aulas tinham terminado. Agora era tempo de aproveitar as férias ao máximo.

     Mas, quando uma pessoa está feliz algo acontece que nos muda o nosso estado de espírito.

     Eram nove horas da noite. O meu tio Alberto telefonou-me a dizer que a minha tia Júlia estava doente e queria que eu fosse lá.

     Sem mais demoras, vou a correr para a estação de comboios, na expectativa de ter um que me levasse, naquele instante, até ao Porto. E tive sorte, pois dali a dez minutos chegaria um comboio com esse destino.

     Entretanto, o comboio chega. Entro e sento-me num lugar perto da janela.

     Logo depois de me sentar, uma rapariga cega pergunta-me se se podia sentar à minha beira.

     De imediato disse sem exitar, que podia.

     Assim nos conhecemos e parece que ficámos logo amigas uma da outra.

     - Olá, eu sou a Sara. – disse a rapariga cega, sorrindo.

     - Olá, eu chamo-me Rita.

     - Pareces ser uma pessoa muito simpática e amigável. Sabes, apesar de eu não poder ver, tem um outro sentido que me permite conhecer a maneira de ser das pessoas. – declarou estas palavras a jovem adolescente cega.

     - Mas deve ser difícil viver assim, sem ver o que te rodeia!

     E acrescentei:

     - Já nascentes assim sem ver ou houve alguma coisa que te levou a perderes a visão? Desculpa estar a falar nisso, mas como deves imaginar também é complicado para mim ver-te assim.

     - Não, não tens nada que pedir desculpa. Eu sei que as pessoas normais não têm consciência de como é ser diferente. Mas respondendo à tua pergunta, eu não nasci assim. É uma longa história. Uma história dolorosa e penosa que nunca mais poderei esquecer.

     - Se quiseres contar, estás à vontade, mas se te sentires melhor não estar a falar nisso nem sequer toques no assunto. – disse para a tranquilizar.

     - Vejo que tu queres saber e eu a contar-te-ei, porque me inspiras ser uma pessoa de confiança.

     E começou a narra a história que levou à sua cegueira:

     - Foi à dez anos atrás. Meu pai divorciou-se da minha mãe, não sei porquê e, também, nunca nenhum deles me explicou o motivo da sua separação. Acontece que eu fiquei com o meu pai que, entretanto, arranjou outra mulher, uma mulher maldosa, de coração de pedra e que, desde do início, nunca gostou de mim.

     Neste momento, por entre a janela do comboio podia ver os campos verdejantes, os cursos de água,… No céu as aves aproveitavam o sol, voando de um lado para o outro e fazendo acrobacias.

     E Sara, enquanto eu via isto pela janela, lá ia contando a sua história:

     - Para veres que isso é mesmo verdade prova disso é o facto de ter ficado cega.

     - O quê? A companheira do teu pai foi a culpada de tu hoje seres assim!? - fiquei eu estupefacta ao ela dizer tal coisa.

     - Sim foi ela mesma. Um dia estava eu no pátio de casa quando ela me empurrou pelas escadas abaixo. Depois de várias operações e de ter estado em coma o resultado está à vista.

     - Que história!!! E não aconteceu nada a essa louca.

     - Não. Além de mais, ninguém acredita que ela era capaz de fazer uma coisa dessas…

     Agora via-se pela janela casas, prédios e fábricas enormes. Devíamos estar a chegar ao Porto.

     De repente, o motorista começou a avisar que o comboio estava mesmo a chegar à estação.

     Proferi, então, eu:

     - A nossa viagem está a chegar ao fim, mas quero que saibas que gostei muito de te ter conhecido e espero que um dia seja feita justiça. O importante é ter esperança e não desistir. Gostaria de falar mais contigo, mas tenho de ir visitar a minha tia que está doente.

     - Podes crer que também gostei muito de te ter conhecido.

     A viagem tinha chegado ao fim. Despedimo-nos e cada uma seguiu o seu caminho.

  

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Thursday, June 11, 2009

Produção escrita

A extinção de espécies

 

         A extinção das espécies pode ter várias causas: a poluição, terrestre ou marítima, a caça excessiva, a desflorestação, o aquecimento global, …

         O mais alarmante é elas resultarem de acções praticadas pelo Homem, directa ou indirectamente.

         Para colmatar tal situação poderíamos motivar as pessoas a reciclarem, punir quem caçar fora da época, em áreas protegidas ou de forma excessiva, apelar à reflorestação, informar as pessoas para o aquecimento global e como evitá-lo.

         Este problema pode acarretar vários perigos para a humanidade: doenças, ruptura nas cadeias alimentares, adaptação de espécies a climas diferentes do seu habitat e sua posterior extinção.

 

 

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Produção escrita

Um verdadeiro lutador

 

         Foi há alguns anos atrás. Uma amiga minha, mais velha que eu, tinha um colega na turma, que veio a destacar-se dos outros rapazes, não só da turma, mas de toda a escola, porque foi um verdadeiro lutador.

         Já não me lembro do nome seu nome. Às vezes, via-o no intervalo e, parecia-me um rapaz vulgar, porém não o era.

         Esse rapaz mudara completamente.

         Antes ele era um pouco rebelde, muito brincalhão e não queria saber dos estudos. Prova disso, foi ele ter reprovado de ano.

         Mas, nesse ano lectivo que se estava a iniciar, ele estava-se a apresentar como um verdadeiro estudante, que não queria reprovar mais nenhum ano.

         Os colegas, como era o caso da minha amiga, vendo a vontade que ele mostrava em passar de ano, não recusavam ajudá-lo quando ele tinha alguma dúvida que eles pudessem esclarecer.

         Porém, como é típico da vida, ela pregou-lhe uma partida.

         O rapaz começou a andar doente, com febre, pouca vontade em comer, uma tosse que não era normal, …enfim, depois de ter realizado um série de exames médicos, descobriu que sofria de tuberculose.

         Foi um choque bastante grande para ele e para toda a turma. Para ele porque achava que ia morrer e para a turma porque viam que ele estava a sofrer com tal notícia.

         Este jovem começou, então, um longo processo de tratamento, enquanto na escola foram tomadas medidas de prevenção, para saber se na turma alguém tinha sido contagiado.

         Felizmente, todos estavam bem de saúde, pelo menos não tinham sido afectados com esta doença.

         O rapaz teve, por isso, de ir para casa durante todo o processo de tratamento, estando, quase sempre, dentro de quatro paredes, só vendo a luz do dia a entrar pela janela e estando com os amigos quando eles o visitavam, tomando as devidas precauções.

         Imagino que deve ser muito difícil viver assim. A vida quando quer pode ser mesmo muito cruel.

         Pouco tempo antes do final do ano, ele estava curado, mas as aulas que tivera não chegavam de preparação para os exames nacionais.

         Não sei se ele os chegou a fazer. Sei é que ele foi um adolescente muito corajoso por ter conseguido vencer esta barreira que a vida lhe colocou à frente.

         Contudo, ele arranjou forças para lutar até ao fim.

 

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Produção escrita

Dia Internacional do Livro

 

 

         No passado dia 23 de Abril, comemorou-se o «Dia Internacional do Livro» e, por isso, decidi falar um pouco acerca do livro.

         O livro não é nada mais, nada menos do que folhas escritas com letrinhas de muitos tipos, que, às vezes, vêm acompanhadas por desenhos, pensam uns.

         Porém, os verdadeiros leitores, aqueles que quando têm um tempinho livre aproveitam para ler, aqueles que quando nós olhamos para eles e observamos o seu rosto inclinado sobre um livro percebemos como o livro está a mexer com eles, aqueles que ao virarem a página estão com uma atenção tensa, aqueles que quando falamos para eles não nos ouvem e, quando por fim nos prestam atenção, parecem acabados de sair de algum lugar distante, para esses o livro não é, simplesmente, isso. O livro para esses é bem mais do que isso, é um segredo que se vai revelando com o simples gesto de virar uma página. É algo de maravilhoso que se pode apreciar em qualquer lugar. E, acima de tudo, para eles o livro é uma forma de saber mais e melhor. Resumindo e para terminar, é nos livros que está tudo.

         Decidi também retirar este excerto do livro «O nome da rosa» de seu autor Umberto Eco, já que gostei bastante deste fragmento de texto, pelo facto de aqui ser referido o que aconteceria se Deus descesse à terra e o que diria àqueles que não seguem os seus mandamentos. Espero que gostem.

Boas leituras!!!

 

«E no sétimo dia chegará o Cristo na luz de seu pai. E haverá então o juízo dos bons e a sua ascensão na beatitude eterna dos corpos e das almas. Mas não é sobre isto que meditareis esta noite, irmãos orgulhosos! Não é aos pecadores que caberá ver a alba do oitavo dia, quando se elevará do oriente uma voz doce e terna, no meio do céu, e manifestar-se-á aquele Anjo que tem poder sobre todos os outros anjos santos, e todos os anjos avançarão juntamente com ele, sentados sobre um carro de nuvens, cheios de alegria, correndo velozes pelo ar, para libertarem os eleitos que tiverem acreditado, e todos se regozijarão, porque a construção deste mundo terá sido consumada! Não é com isto que devemos, nós, orgulhosamente regozijar-nos esta noite! Meditaremos em vez disso sobre as palavras que o Senhor pronunciará para expulsar de si quem não merece salvação: ide para longe de mim, malditos, para o fogo eterno que vos foi preparado pelo diabo e pelos seus ministros! Vós próprios bem merecestes, e agora gozai-o! Afastai-vos de mim, descendo nas trevas exteriores e no fogo inextinguível! Eu dei-vos forma, e vós fizeste-vos sequazes de um outro! Fizeste-vos servos de um outro senhor, ide morar com ele na escuridão, com ele, a serpente que não repousa, no meio do ranger de dentes! Dei-vos o ouvido para prestardes atenção as escrituras, e vós escutastes as palavras dos pagãos! Modelei-vos uma boca para glorificardes a Deus, e vós usaste-la para as falsidades dos poetas e para os enigmas dos histriões! Dei-vos os olhos para que vísseis a luz dos meus preceitos, e vós usaste-los para perscrutar na treva! Eu sou um juiz humano, mas justo. A cada um darei aquilo que merecer. Quereria ter misericórdia de vós, mas não encontro óleo nos vossos vasos. Seria impelido a apiedar-me, mas as vossas lâmpadas estão fumadas. Afastai-vos de mim…assim falará o Senhor. E aqueles…e nós talvez, desceremos ao eterno suplício. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.»        

Posted by *** Belinh@*** at 21:06:29 | Permalink | No Comments »

Crítica

O livro «Auto da Barca do Inferno»

 

         O «Auto da Barca do Inferno» é um livro da autoria de Gil Vicente, homem que foi considerado o «Pai do Teatro Português».

         Com este livro ele pretende através do riso criticar os costumes que naquela época em que ele viveu estavam mal dentro de cada classe social (povo, clero, nobreza, que aparecem neste livro encarnadas sob profissões mais específicas – sapateiro, frade, fidalgo,…).

         Desta forma, Gil Vicente recorre muito a expressões que provocam o cómico. Contudo, eu acho ele para ser cómico, às vezes, utiliza expressões que não são muito apropriadas («Mija n´agulha, mija na agulha!», « Caga no sapato, filho da grande aleivosa!», « Nom praza ò cordovão, nem à puta da badana, se é esta boa traquitana em que se vê Joanantão!», …)

         Além disso, este livro não pode ser lido por uma pessoa qualquer, pois tal como «Os Lusíadas» de Luís de Camões é uma escrita bastante característica daquela época e que hoje em dia já não se usa (« Daquesta mercadoria trago eu muita, bofé », «- Que fazes tu, barzoneiro»,«Asinha, que se quer ir!», …).

         Apesar de tudo isto, não deixa de ser um livro interessante de se ler, pois também é uma forma de ficarmos a conhecer os vícios que existiam dentro de cada classe social.  

 

 

 

 

Posted by *** Belinh@*** at 21:04:58 | Permalink | No Comments »

Produção escrita

Extraterrestres

 

         Será que existem mesmo extraterrestres? Será que os OVNI’s estão ligados à presença destes seres na Terra?

         Estas perguntas que nos vêm à cabeça sempre que ouvimos falar na televisão de fenómenos estranhos e inexplicáveis.

         Não é por acaso que os cientistas, até já, inventaram radiotelescópios na expectativa de encontrarem as respostas as perguntas referidas anteriormente.

         Na verdade, o que a mim me preocupa não é o facto de eles aparecerem, mas sim, se eles poderão interferir no nosso bem-estar.

         Mas, de uma coisa tenho a certeza, se um dia eu me der de caras com um ser deste tipo, terei uma de duas reacções: ou fujo para bem longe até ficar sem rasto dele, como é de esperar quando se contacta com algo desconhecido, ou fico a olhar para ele até ter coragem para dizer alguma coisa. Porém, se eu conseguisse dizer alguma coisa, a primeira coisa que perguntaria seria porque é que ele apareceu e donde é que veio.

         Depois de começar a falar para ele e de saber a sua maneira de ser, não seria difícil fazer mais perguntas ou de explicar alguma coisa que ele quisesse saber.

         Contudo, acho melhor, por enquanto, levarmos a vida normalmente, sem medo e em receio de encontrar extraterrestres, afinal ainda não há nada que comprove que eles realmente existem.

Posted by *** Belinh@*** at 21:00:02 | Permalink | No Comments »

Produção escrita

Os vários tipos de heróis

 

         Um herói é alguém, um homem ou mulher, de carne e osso, que arrisca a sua vida para salvar alguém que se encontra em perigo ou, até mesmo, dá a sua vida por esse alguém.

         Actualmente, a ideia de verdadeiro herói, que é o que acabei de referir anteriormente, tem vindo a ser esquecida com a massificação dos meios de comunicação.

         Hoje, sobretudo, as camadas mais jovens têm duas noções acerca do que é um herói: ou é aquele desenho animado que faz o bem, que luta contra os maus, que tem poderes sobrenaturais, … enfim que não tem medo de nada, ou é aquela pessoa que aparece em tudo o que é meios de comunicação social, porque ou é bonita ou tem um comportamento que faz com que as pessoas a adorem, menos por ter ajudado a salvar alguém ou por ter dado a vida por alguém.

         Mas, esta afeição que criamos em relação a uma personagem animada ou a uma pessoa famosa pode ser perigosa.

         Na minha opinião tudo bem que tenhamos um herói da TV ou que apareça nos meios de comunicação social, contudo devemos medir os riscos que corremos ao seguir essa identidade.

         Desta forma, o que eu acho mesmo é que nós próprios é que devemos desenvolver a capacidade de ser verdadeiros heróis.

Posted by *** Belinh@*** at 20:59:08 | Permalink | No Comments »

Sunday, April 12, 2009

Páscoa!!!

    Hoje é dia de Páscoa, dia em que se comemora a «ressurreição de Jesus Cristo» na religião cristã, depois de um jejum de quarenta dias, a «Quaresma».

    Mas, hoje também é um dia importante porque as famílias se juntam.

    Desta forma, não deixei passar esta data em branco e decidi dirigir este poema que se segue a toda a gente.

 

 

Espero que o coelhinho,

esta Páscoa,

te traga muito mais que simples ovos de chocolate.

Que te traga muita saúde, amor, felicidade, compreensão, carinho, e muito mais…

Que sejes abençoada/o,

por Aquele que nos deu Sua vida.

Desejo sinceramente,

que tu e a tua família tenham

uma

Santa Páscoa.

 

 

 

 

Felicidades!!!

Feliz Páscoa!!!

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Sunday, March 22, 2009

Livro: Contos Maravilhosos

Autor: Hermann Hesse

Editora: Difel Difusão Editorial, S.A.

 

 

O Anão

 

         Margherita Cadorin, filha do nobre Battista Cadorin, era a mais bonita de entre as mais belas damas de Veneza. Em toda a cidade seriam poucas as donzelas nobres aquelas que nunca tinham tido ciúmes dela.

         Margherita Cadorin era loira, alta e esbelta. Os seus cabelos acariciavam o ar e os seus pés afagavam o chão.

         A esta beldade não falta a riqueza e o fausto no seu palácio, nem tão pouco faltava a criadagem ou as gôndolas e remeiros.

         Tal luxo e requinte também existiam igualmente noutras casas e, às vezes, em maior abundância. Nesse tempo, Veneza era muito rica.

         Todavia, o que Margherita possuía que despertava a inveja de muitos, era um anão chamado Filippo, de porte pequeno e que possuía duas bossas: um homem fabuloso.

         Filippo era natural do Chipre e, quando D. Vittoria Battista o trouxe para sua casa, apenas sabia duas línguas: grego e siríaco.

         Agora, porém, ele sabia falar bem veneziano.

         O aspecto do anão era um pouco ridículo, porém, como andava vestido de sedas e brocados, parecia um príncipe.



         Quanto ao seu espírito e seus dotes nem de longe era comparável a outros anões que pudessem existir noutras cortes ou cidades. Além disso, era muito inteligente e fiel à sua senhora. Não se limitava a falar, simplesmente, três línguas e era muito culto em histórias, máximas e invenções.

Nos dias de sol, Margherita instalava-se no terraço de casa para aloirar os seus cabelos, e ia sempre acompanhada de ambas as camareiras, do seu papagaio e do anão Filippo. E, por fim, quando o pássaro adormecia e as servas conversavam indolentemente, acabando por se calarem, era a vez de Filippo começar a contar uma história. E que imaginação e jeito ele tinha para as contar!

         Acreditava-se que Filippo conseguia falar com seres animais e que era infalível na previsão de trovoada e tempestades.

         Este anão dedicava uma amizade especial, para além dos seus livros, a um cãozito preto que sofrera um desastre e ficara com uma perna torta. Este cãozito chamava-se Filippino, nome que Filippo lhe atribuiu, surgido do diminutivo carinhoso de Fino. Mas, esta amizade não era uma amizade qualquer!

         Margherita, perante os olhares de numerosos homens distintos, ricos e de belo porte, que guardavam a sua imagem no coração, ela, por seu lado, mantinha-se altiva e fria como se não existissem homens à face da Terra. Na verdade, ela não só fora educada com severidade até à morte da sua mãe, como já possuía um espírito avesso ao amor. E um dia quando dois pretendentes pediram a sua mão, forçou o pai a recusar os dois.

         Ora, na ocasião de uma festa nos jardins de Muraneser, Margherita ficou apaixonada por um cavaleiro e homem do mar, acabado de chegar das Terras – do – Levante. Chamava-se Baldassare Morosini e era parecido tanto em riqueza como em estatura com Margherita. Além disso, também o seu coração aumentou o ritmo cardíaco ao ver a mais bela das donzelas de Veneza.

         Morosini, mal alcançou o conhecimento do nome da mulher por quem se tinha apaixonado, tomou providências para ser apresentado tanto ao pai dela como a ela própria.

         Baldassare é avisado que Margherita Cadorin não é uma mulher fácil e que ia estar sujeito a mais uma recusa como os outros dois pretendentes.

         O pai de Margherita, a pedido de Baldassare, fala com a sua filha, que mesmo estando apaixonada, se faz difícil, só que o seu coração já tinha dado o sim, mesmo antes de lhe ser posta a questão.

         O homem apaixonado, mal recebeu a resposta, apresentou uma prenda encantadora e preciosa à sua amada: deu-lhe um anel de noivado, colocando-o no dedo, e pela primeira deu-lhe um beijo, na sua boca altiva.

         Baldassare, por educação, era arrogante e pouco habituado a ter consideração por alguém. Era estranho como desde o princípio algumas coisas não lhe agradavam em redor da sua noiva, principalmente, o papagaio, o cãozito Fino e o anão Filippo. Desta forma, mal os via, irritava-se de imediato e procurava de todas as formas maltratá-los ou afastá-los da sua dona.

         Pobres dos animais, pouco tempo mais duraram. O papagaio morreu esmagado e o cãozito morreu afogado. Só restava Filippo, para quem foi um grande choque e uma enorme tristeza a morte do cãozito Fino, afinal era o seu grande amigo.

         Filippo nunca mais esqueceu o que Morosini fez e, por isso, decidiu vingar-se.

         Numa tarde, Margherita e o seu noivo, acompanhados de Filippo, foram passear de gôndola e, é nesta altura que o anão acerta contas com o carrasco.

         Baldassare queria beber, então Filippo, ordenado pela sua senhora, vai buscar o vinho.

         É nessa altura, que o anão adiciona à bebida veneno, o qual provocou a morte de Baldassare e a sua.

         O noivo de Margherita estava desconfiado, e o anão teve de beber também do vinho envenenado, pois de outra forma ele não beberia.

         Desta forma, morreram os dois, mortes que abalaram Veneza e que provocaram a loucura de Margherita.        

 

Posted by *** Belinh@*** at 20:50:14 | Permalink | No Comments »

Texto descritivo

Palácio do rei

 

         Foi à muitos anos atrás. Meu pai era o rei de Espanha e um dos seus grandes amigos era o rei D.João V, rei de Portugal, homem que possuía grande requinte e luxo.

         Certa altura, este convidou meu pai a ir ao seu reino, pois ia dar uma grande festa e, por isso, gostava imenso que um dos seus melhores amigos não faltasse.

         Preparamos tudo e partimos num belíssimo coche, puxado por dois cavalos brancos.

         Meu pai tinha aceite este convite não pela festa em si, pois todas as festas são sempre iguais, mas sim porque eu nunca tinha ido a Portugal e ele achou por bem aproveitar esta oportunidade para eu o ficar a conhecer, afinal era mesmo o país vizinho.

         Enquanto não chegamos a Portugal, os meus pais entreolhavam-se, afinal não havia nada para dizer sobre Espanha, pois desde muito cedo eles tinham-me contado tudo sobre ela.

         Mas, mal entramos na fronteira do país vizinho, tudo mudou. O silêncio que tinha sido até ali quebrou-se. Começaram-me a falar sobre os reis mais importantes que já tinham passado pela coroa portuguesa, os grandes feitos dos portugueses, as paisagens deslumbrantes que aí eu poderia ver e muitas outras coisas.

         Depois de uma viagem longa, chegamos finalmente ao palácio do amigo do meu pai.

         Quando sai de dentro do coche nem queria acreditar naquilo que eu estava a ver surgir à frente dos meus olhos. Era uma construção enorme que se fazia estender ao longo da calçada. Era feita em pedra e em todo o seu correr existiam inúmeras janelas.

         Meu pai vendo-me maravilhada com tal edifício, divulgou-me o seu nome. Chamava-se Convento e Palácio de Mafra.

         Não tardou, em aparecer o seu amigo, o rei D. João V.

         As suas vestes eram de seda, com bordados que pareciam ser em ouro, uma peruca que lhe cobria toda a cabeça e testa e que se fazia estender até meio das costas, os sapatos que calçava eram brilhantes, como se tivessem sido engraxados pouco tempo antes, …enfim, um homem que parecia ser proprietário de uma riqueza incalculável.

         Pensava eu que já tinha visto tudo, mas afinal ainda não tinha visto nada.

         D. João V cumprimentou-nos e vendo que era a primeira vez que eu estava ali, fez questão que visitássemos todo aquele grande edifício, pois ainda mal tinha começado o dia e o banquete só iria ser ao início da noite.

         Começámos pela sala onde iria decorrer a tal festa. Era gigante! Acho que lá dentro cabia o nosso palácio.

         Tinha um candeeiro igualmente grande no centro da sala, que quando acesso devia dar mais luz o reflexo do ouro do que propriamente a luz das velas.



         Uma dezena de criados já estava a preparar tudo. Nas mesas já estavam colocadas toalhas em seda pura vinda do estrangeiro, pelo menos foi o que D. João V disse. Uma meia dúzia de castiçais em ouro começavam a decorar já todo aquele cenário.

         Noutras divisões do palácio igualmente morava o luxo e o requinte: cortinas cor de púrpura se faziam estar perto das janelas, móveis de madeira exótica com linhas decorativas em ouro…

         Nos tectos, pinturas espectaculares decoravam e davam mais vida as divisões do palácio.

         A hora do banquete chegou. Os cavalheiros e as senhoras pareciam que tinham escolhido as suas melhores vestimentas ou as tinham comprado de propósito para aquela ocasião.

         A sala a pouco e pouco ia ficando cheia de gente.

         Mas, o melhor estava para vir, aquilo por que todos ansiavam, o jantar.

         Grandes travessas em prata ou em porcelana, com feitios lindíssimos chegavam com os mais diversos tipos de comida. A juntar a isto, muito vinho. Toda a gente parecia estar deliciada.

         Para animar ainda mais o serão, uma orquestra tocava.

         Entre muita comida, muita bebida, muita música, a festa chegou ao fim, e já a noite ia a meio.

         Os criados, tal como nós estavam exaustos. D. João V ordenou, por isso, que se fossem deitar e que arrumassem tudo no dia seguinte.

         Nessa noite e nos dois dias que se seguiram ficamos no palácio, tudo porque D. João tinha pedido a meu pai. Nesse tempo aproveitamos para ir ao convento e rezar um pouco.

         Passado o tempo de visita, despedimo-nos de D. João V e partimos a caminho de Espanha, em direcção ao nosso castelo.  

             

 

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