2008/03/13

Livro: «Um Sábado Inesquecível»
Autor: João Aguiar
Edições: Asa

 

 

Resumo

 

O Bando dos Quatro chegou a Lisboa a meio da tarde. Ficaram hospedados na casa antiga dos pais da Catarina.
Jantaram cedo, e de seguida foram para os respectivos quartos, onde definiram o lugar de cada um e adormeceram.
De manhã, os rapazes e todas as pessoas que estavam nessa casa, acordaram sobressaltadas, pois a Catarina fez questão de acordar toda a gente batendo na porta do quarto dos rapazes ao murro.
No fim de tomarem o pequeno-almoço, foram para a biblioteca onde conversaram com o avô da Catarina, D. Gonçalo. Esse queria que eles fossem levar um livro, o «História da Ilustre e Nobre Casa de Vila Rica» a um encadernador, pois o livro já era antigo e por isso precisava de uma restauração.     
Entretanto, o Carlos tocou, de repente, numa prateleira e qual foi o espanto do D. Gonçalo quando viu um livro, «Movimentos da Cavalaria com adição para Dragões e Infantaria», que já era bastante antigo, também. Pousou-o em cima da secretária e foi fazer um telefonema ao Chico, um amigo de liceu dele e depois outro ao encadernador, Ambrósio de Sá, que tinha sido recomendado por esse.
Depois, falou com o Bando dos Quatro sobre aquele livro e pediu que levassem os dois para serem restaurados.
A seguir, o avô da Catarina deu as recomendações necessárias e foi-se embora, pois tinha assuntos a tratar.
Logo depois, o Bandos dos Quatro, meteu os livros numa pasta de cabedal e as informações sobre o encadernador.
A direcção que seguiram depois de saírem de casa, foi para a Feira da Ladra.
Perto dessa, um tipo de mota roubou os livros à Catarina, deitando-a para o chão.
Depois, de ela se ter levantado teve a ideia que na Feira da Ladra o tipo tivesse ido lá tentar vender os livros.
Procuraram em todos os sítios onde se vendiam livros, mas não obtiveram nenhum resultado.
Enquanto conversavam, houve pessoas que interviram na conversa, dando informações importantes como o local onde o tipo vivia, Bairro das Açafatas, e o nome porque ele era conhecido, «Torto». 
No fim do almoço, foram até esse bairro. Aí encontraram um homem cabo-verdiano muito simpático, que se chamava Zé Maria, que trabalhava ali perto. Esse disse onde morava esse tal «Torto».
Depois despediram-se dele, mas não por muito tempo. Quando o Bando seguiu o seu caminho e ele o dele, um indivíduo começou a fugir.
O Bando dos Quatro foi atrás dele e logo o Zé Maria vendo este acontecimento, interviu também, mas sem êxito.
Telefonaram então ao Tio João que disse para esperarem perto da esquadra. Despediram-se, então, do Zé Maria.
Chegado aí o Tio João, foram à PSP. Aí o Tio João falou com os agentes acerca do roubo.
Um agente decidiu ir então ao Bairro das Açafatas ver se encontrava o ladrão.
No prédio onde eles tinham a informação que ele morava viram a mota dele. A seguir, bateram à porta e apareceu o «Torto». Esse ao ser acusado negava tudo. O Carlos então foi chamar o Zé Maria.
O Zé Maria contou também a sua versão, mas o homem continuava a negar, até ao momento que o Frederico encontrou um papelito no chão que era um símbolo da estalagem dos pais da Catarina. 
Aí tentou resistir à PSP, mas acabou por ser apanhado.
Com estas confusões todas em que o Zé Maria tentou ajudar, acabou por ser despedido, já que tinha faltado algum tempo ao trabalho.
Entretanto, na polícia o Bando dos Quatro e o Tio João, chegaram à conclusão que quem devia ser o cúmplice do «Torto» era o Ambrósio de Sá.
Nesta discussão de ideias, aparece o agente da polícia a dizer que o «Torto» tinha confessado tudo e dito onde estava o livro.
Depois saíram da esquadra e o Tio telefonou a uma pessoa. Seguidamente, a esse, entraram no carro, dirigindo-se para a morada do Ambrósio de Sá.
Chegados perto da residência desse homem, jantaram umas sanduíches. 
Enquanto isso apareceram seis homens. Era o Luís Ferreira e uma equipa de agentes que pertenciam à Polícia Judiciária.
Esses entraram no prédio onde residia o Ambrósio de Sá.
Passado algum tempo, sai um tipo a correr, que é apanhado pelo agente da PJ. A seguir, acompanhado por dois agentes da PJ estava o Ambrósio de Sá.
Revistaram a casa toda e lá estava o livro que eles pensavam encontrar.
Mais tarde, foram para a casa da Catarina, onde estavam os pais de todos os membros do Bando dos Quatro, à excepção dos pais do Frederico.
Comeram a ceiazinha que a mãe da Catarina tinha preparado, a D. Helena, enquanto os «investigadores de casos» contavam a sua história.
Inesperadamente o telefone do Tio João tocou. Era o Luís Ferreira dizendo que o chefe da organização, era o Francisco, tratado pelo avô da Catarina como Chico.
Quando o Tio João divulgou isto perante todos os presentes, estes ficaram surpreendidos, principalmente, D. Gonçalo.
 Nesta conversa foi falado também do caso do Zé Maria que tinha sido despedido. O pai da Catarina sugeriu logo que esse fosse trabalhar para a estalagem.
Assim finalizou o diálogo despedindo-se uns dos outros, acabando por, mais tarde, irem embora.  
 
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Produção escrita

A família chinesa

 

 

Não se encontra loja mais barata que a Pérola de Macau. Tem de tudo: coisas úteis e inúteis, habituais e exóticas, toscas e delicadas. Por isso, na véspera de Natal, formam-se bichas apressadas mas hesitantes nos seus dois corredores entre estantes atafulhadas.
Até ao início das férias era um casal de chineses recém-chegados que atendia os fregueses. Sabiam uma dúzia de frases em português que misturavam com gestos e sorrisos.
- Que quele? Pode vele.
Traziam as costas de um papel impresso com gatafunhos orientais e apresentavam-nas aos clientes silenciosos.
Mas em meados de Dezembro meteram o sobrinho, que anda na escola como ajudante. Na verdade é ele que orienta a loja. Magrinho, de olhos em bico, parece movido a electricidade. Recebe as pessoas à porta, condu-las até à prateleira das molduras, das velas, das porcelanas, faz sugestões, indica preços.
Este grupo de chineses é acolhedor, alegre, simpático, mas por detrás existe um passado que para eles ainda é difícil de ultrapassar e já lá vão 22 anos.
Antes de eles virem para Portugal viver, residiam na China. Porém por um motivo político houve uma série de conflitos. Desse restaram algumas centenas de mortos e de edifícios praticamente destruídos.
Quando eles embarcaram para virem para Portugal, foi difícil, como acontece sempre que há este tipo de situações. Jacke e Yemesi conseguiram fugir à morte, trazendo também o sobrinho Ayobami, que era ainda pequenito, pois os pais dele estavam bastante feridos e como iam ficar sem ninguém para cuidar dele fizeram esse pedido. Jacke vendo a sua irmã naquela estado e sem poder fazer nada para a curar, resolveu cumprir o seu pedido.
A sua viagem demorou meses pois vinha de barco e esse era um pouco lento.
Chegados a Portugal, ficaram fascinados pois os lugares que viram tinham coisas lindíssimas.
Procuraram uma estalagem para passar a noite. Nessa jantaram e ao mesmo tempo conversavam um pouco sobre onde iam no dia seguinte.
Logo ao romper da manhã, os três andaram pela cidade à procura de emprego. Por sorte conseguiram arranjar os dois trabalho no mesmo local.
Mais à frente um pouco, viram um apartamento à venda. Retiraram o número de telefone que estava marcado e ligaram com o proprietário desse.
Nos dias que se seguiram trataram da documentação do apartamento e do empréstimo que tinham de pedir ao banco para o comprar.
Os anos foram passando, as dívidas ficaram saudadas e começaram também a juntar dinheiro para o que pudesse fazer falta.
Neste ambiente, que podemos dizer que era de felicidade, pois tudo estava a correr bem, aproveitaram para falar com o sobrinho sobre os seus pais e a sua vida, já que ele não se lembrava, visto que, quando ele veio com os tios ainda não tinha idade para perceber isso.
Entretanto, o patrão deles abriu falência da loja e eles montaram um negócio por conta própria. Esse foi bastante rentável, aliás, é nesse que eles ainda hoje continuam a trabalhar.
O casal teve dois filhos, que actualmente andam na escola e Ayobami frequenta a universidade.
Apesar de se sentir feliz assim, Ayobami tem um sonho, quando acabar o curso, pensa em fazer uma viagem a terra onde nasceu e conhecer os outros membros, mas principalmente, os pais se esses tiverem sobrevivido.
Essa vai ser paga com o dinheiro que ganha, quando ajuda os tios na loja.
Cada dia que passa ele fica mais ansioso, porque já falta pouco tempo.       

 

 

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Semana da leitura – Comemoração


«A criança, com duas lágrimas na face magrinha, murmurou:
- Oh mãe! Jesus ama todos os pequeninos. E eu ainda tão pequeno, e com um mal tão pesado, e que tanto queria sarar!
E a mãe em soluços:
- Oh meu filho, como te posso deixar? Longas são as estradas da Galileia e curta a piedade dos homens. Tão rota, tão trôpega, tão triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais. Ninguém atenderia o meu recado e me apontaria a morada do doce Rabi. Oh filho! Talvez Jesus morresse…Nem mesmo os ricos e os fortes o encontram. O Céu O trouxe, o Céu O levou. E com Ele para sempre morreu a esperança dos tristes.
De entre os trapos, erguendo as suas pobres mãozinhas que tremiam, a criança murmurou:
- Mãe, eu queria ver Jesus…
E logo, abrindo devagar a porta e sorrindo, Jesus disse à criança:
- Aqui estou.»

 

 

Excerto retirado do livro: «Contos»
                                              de  Eça de Queirós
                                                                                        Porto Editora

 

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