Sunday, March 22, 2009

Texto descritivo

Palácio do rei

 

         Foi à muitos anos atrás. Meu pai era o rei de Espanha e um dos seus grandes amigos era o rei D.João V, rei de Portugal, homem que possuía grande requinte e luxo.

         Certa altura, este convidou meu pai a ir ao seu reino, pois ia dar uma grande festa e, por isso, gostava imenso que um dos seus melhores amigos não faltasse.

         Preparamos tudo e partimos num belíssimo coche, puxado por dois cavalos brancos.

         Meu pai tinha aceite este convite não pela festa em si, pois todas as festas são sempre iguais, mas sim porque eu nunca tinha ido a Portugal e ele achou por bem aproveitar esta oportunidade para eu o ficar a conhecer, afinal era mesmo o país vizinho.

         Enquanto não chegamos a Portugal, os meus pais entreolhavam-se, afinal não havia nada para dizer sobre Espanha, pois desde muito cedo eles tinham-me contado tudo sobre ela.

         Mas, mal entramos na fronteira do país vizinho, tudo mudou. O silêncio que tinha sido até ali quebrou-se. Começaram-me a falar sobre os reis mais importantes que já tinham passado pela coroa portuguesa, os grandes feitos dos portugueses, as paisagens deslumbrantes que aí eu poderia ver e muitas outras coisas.

         Depois de uma viagem longa, chegamos finalmente ao palácio do amigo do meu pai.

         Quando sai de dentro do coche nem queria acreditar naquilo que eu estava a ver surgir à frente dos meus olhos. Era uma construção enorme que se fazia estender ao longo da calçada. Era feita em pedra e em todo o seu correr existiam inúmeras janelas.

         Meu pai vendo-me maravilhada com tal edifício, divulgou-me o seu nome. Chamava-se Convento e Palácio de Mafra.

         Não tardou, em aparecer o seu amigo, o rei D. João V.

         As suas vestes eram de seda, com bordados que pareciam ser em ouro, uma peruca que lhe cobria toda a cabeça e testa e que se fazia estender até meio das costas, os sapatos que calçava eram brilhantes, como se tivessem sido engraxados pouco tempo antes, …enfim, um homem que parecia ser proprietário de uma riqueza incalculável.

         Pensava eu que já tinha visto tudo, mas afinal ainda não tinha visto nada.

         D. João V cumprimentou-nos e vendo que era a primeira vez que eu estava ali, fez questão que visitássemos todo aquele grande edifício, pois ainda mal tinha começado o dia e o banquete só iria ser ao início da noite.

         Começámos pela sala onde iria decorrer a tal festa. Era gigante! Acho que lá dentro cabia o nosso palácio.

         Tinha um candeeiro igualmente grande no centro da sala, que quando acesso devia dar mais luz o reflexo do ouro do que propriamente a luz das velas.



         Uma dezena de criados já estava a preparar tudo. Nas mesas já estavam colocadas toalhas em seda pura vinda do estrangeiro, pelo menos foi o que D. João V disse. Uma meia dúzia de castiçais em ouro começavam a decorar já todo aquele cenário.

         Noutras divisões do palácio igualmente morava o luxo e o requinte: cortinas cor de púrpura se faziam estar perto das janelas, móveis de madeira exótica com linhas decorativas em ouro…

         Nos tectos, pinturas espectaculares decoravam e davam mais vida as divisões do palácio.

         A hora do banquete chegou. Os cavalheiros e as senhoras pareciam que tinham escolhido as suas melhores vestimentas ou as tinham comprado de propósito para aquela ocasião.

         A sala a pouco e pouco ia ficando cheia de gente.

         Mas, o melhor estava para vir, aquilo por que todos ansiavam, o jantar.

         Grandes travessas em prata ou em porcelana, com feitios lindíssimos chegavam com os mais diversos tipos de comida. A juntar a isto, muito vinho. Toda a gente parecia estar deliciada.

         Para animar ainda mais o serão, uma orquestra tocava.

         Entre muita comida, muita bebida, muita música, a festa chegou ao fim, e já a noite ia a meio.

         Os criados, tal como nós estavam exaustos. D. João V ordenou, por isso, que se fossem deitar e que arrumassem tudo no dia seguinte.

         Nessa noite e nos dois dias que se seguiram ficamos no palácio, tudo porque D. João tinha pedido a meu pai. Nesse tempo aproveitamos para ir ao convento e rezar um pouco.

         Passado o tempo de visita, despedimo-nos de D. João V e partimos a caminho de Espanha, em direcção ao nosso castelo.  

             

 

Posted by *** Belinh@*** at 20:49:34
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