Tuesday, June 23, 2009

Produção escrita

A história da rapariga cega

 

 

      As aulas tinham terminado. Agora era tempo de aproveitar as férias ao máximo.

     Mas, quando uma pessoa está feliz algo acontece que nos muda o nosso estado de espírito.

     Eram nove horas da noite. O meu tio Alberto telefonou-me a dizer que a minha tia Júlia estava doente e queria que eu fosse lá.

     Sem mais demoras, vou a correr para a estação de comboios, na expectativa de ter um que me levasse, naquele instante, até ao Porto. E tive sorte, pois dali a dez minutos chegaria um comboio com esse destino.

     Entretanto, o comboio chega. Entro e sento-me num lugar perto da janela.

     Logo depois de me sentar, uma rapariga cega pergunta-me se se podia sentar à minha beira.

     De imediato disse sem exitar, que podia.

     Assim nos conhecemos e parece que ficámos logo amigas uma da outra.

     - Olá, eu sou a Sara. – disse a rapariga cega, sorrindo.

     - Olá, eu chamo-me Rita.

     - Pareces ser uma pessoa muito simpática e amigável. Sabes, apesar de eu não poder ver, tem um outro sentido que me permite conhecer a maneira de ser das pessoas. – declarou estas palavras a jovem adolescente cega.

     - Mas deve ser difícil viver assim, sem ver o que te rodeia!

     E acrescentei:

     - Já nascentes assim sem ver ou houve alguma coisa que te levou a perderes a visão? Desculpa estar a falar nisso, mas como deves imaginar também é complicado para mim ver-te assim.

     - Não, não tens nada que pedir desculpa. Eu sei que as pessoas normais não têm consciência de como é ser diferente. Mas respondendo à tua pergunta, eu não nasci assim. É uma longa história. Uma história dolorosa e penosa que nunca mais poderei esquecer.

     - Se quiseres contar, estás à vontade, mas se te sentires melhor não estar a falar nisso nem sequer toques no assunto. – disse para a tranquilizar.

     - Vejo que tu queres saber e eu a contar-te-ei, porque me inspiras ser uma pessoa de confiança.

     E começou a narra a história que levou à sua cegueira:

     - Foi à dez anos atrás. Meu pai divorciou-se da minha mãe, não sei porquê e, também, nunca nenhum deles me explicou o motivo da sua separação. Acontece que eu fiquei com o meu pai que, entretanto, arranjou outra mulher, uma mulher maldosa, de coração de pedra e que, desde do início, nunca gostou de mim.

     Neste momento, por entre a janela do comboio podia ver os campos verdejantes, os cursos de água,… No céu as aves aproveitavam o sol, voando de um lado para o outro e fazendo acrobacias.

     E Sara, enquanto eu via isto pela janela, lá ia contando a sua história:

     - Para veres que isso é mesmo verdade prova disso é o facto de ter ficado cega.

     - O quê? A companheira do teu pai foi a culpada de tu hoje seres assim!? - fiquei eu estupefacta ao ela dizer tal coisa.

     - Sim foi ela mesma. Um dia estava eu no pátio de casa quando ela me empurrou pelas escadas abaixo. Depois de várias operações e de ter estado em coma o resultado está à vista.

     - Que história!!! E não aconteceu nada a essa louca.

     - Não. Além de mais, ninguém acredita que ela era capaz de fazer uma coisa dessas…

     Agora via-se pela janela casas, prédios e fábricas enormes. Devíamos estar a chegar ao Porto.

     De repente, o motorista começou a avisar que o comboio estava mesmo a chegar à estação.

     Proferi, então, eu:

     - A nossa viagem está a chegar ao fim, mas quero que saibas que gostei muito de te ter conhecido e espero que um dia seja feita justiça. O importante é ter esperança e não desistir. Gostaria de falar mais contigo, mas tenho de ir visitar a minha tia que está doente.

     - Podes crer que também gostei muito de te ter conhecido.

     A viagem tinha chegado ao fim. Despedimo-nos e cada uma seguiu o seu caminho.

  

Posted by *** Belinh@*** at 16:22:11
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