A chegada à Índia
Depois de passados muitos obstáculos, imensas dificuldades e perigos, chega finalmente a notícia porque todos ansiávamos.
Acabava de amanhecer, quando o piloto de Melinde faz sobressaltar toda a tripulação que ia a bordo, dizendo que estava a avistar terra.
Logo, todos fomos para as zonas mais altas do barco para ver se confirmávamos o que o marinheiro estava a dizer.
Só, passado algum tempo, depois de andarmos sempre na mesma direcção é que aos nossos olhos começou a surgir terra.
Para nos confirmar que aquilo que a nossa vista avistava era mesmo terra, uma ave pousou em cima da popa do navio. E muitas mais surgiram no céu.
Todos ficámos radiantes e incrédulos com o que estava a acontecer. O nosso desejo estava a um passo de se realizar.
Vasco da Gama quase chorou de comoção por ter conseguido tamanha proeza! Mas não lhe era possível chorar e também não ia ser bom!
Vasco da gama e toda a tripulação estava demasiado desidratada. Para além disso, se por acaso chorasse e as lágrimas lhe passassem pelo rosto, as suas feridas iam ressentir-se, devido ao sal do mar que existia em todo o rosto e por todas as partes do corpo que não estivessem cobertas.
De seguida, ele ordenou que começássemos a preparar os batéis, pois o desembarque estava prestes a acontecer.
Desta forma, dois marinheiros encarregaram-se de pegar no baú, que estava no convés. Esse continha produtos que, mais tarde se conseguíssemos, iriam servir para fazer trocas com os indígenas.
Entretanto, nós, os restantes marinheiros, começávamos a executar a ordem de Vasco.
Estando as naus a algumas milhas da costa indiana, parte da tripulação, em que eu me incluía, partiu em batéis e a outra parte da tripulação, não desembarcou.
Já nos batéis e remando em direcção à terra ambicionada, aproveitávamos para apreciar a paisagem que se ia avistando, cada vez melhor.
Gama, parecia estar pensativo, pois podíamos ser recebidos como inimigos e, desta forma, não conseguiríamos provar àquela multidão de gente que ficara em Belém, que tínhamos cumprido a nossa missão, pois não conseguiríamos levar nada que provasse a concretização de tamanho feito.
Porém, esse seu ar pensativo desapareceu, quando chegaram a terra.
Uma grande multidão de gente já nos esperava, depois de nos terem avistado ao longe. Mas, quando saímos das pequenas embarcações, o espanto daquela gente que nos rodeava cresceu. Tudo, porque o aspecto que apresentávamos era de verdadeiros medíocres. As nossas roupas estava rotas e sujas, a barba e o cabelo já deviam atingir dois palmos de comprimento, a pele dos braços e rosto escurecera muito desde que abandonamos a cidade de Lisboa.
Contudo, um homem indígena adiantou-se em relação aos demais indígenas que nos olhavam, e começou a falar com Vasco da Gama.
Vasco como era homem culto, sabia várias línguas, das quais fazia parte a língua que se falava naquela região, pois ele entendia perfeitamente o que o homem dizia. Aproveitou ainda para contar um pouco da aventura que tínhamos vivido e qual a razão de estarmos ali.
Então, o homem impressionado decidiu levar-nos até ao palácio do governador.
Aí, fomos bem recebidos, podendo mesmo matar a fome e a sede que nos atormentava, até então.
Mais tarde, com os produtos que se faziam transportar dentro do baú, que dois marinheiros trouxeram sempre à sua guarda desde o desembarque, fizemos diversas trocas com os comerciantes daquela região.